O artista cajazeirense, radicado em Guarulhos (São Paulo), Bosco Maciel, se apresenta na próxima quarta-feira, dia 23, às 20 horas, no Teatro Íracles Pires, em Cajazeiras, com o espetáculo “O Canto do Ferreiro”. Bosco fará uma homenagem aos músicos amigos de infância José Ribamar (Riba), Manuel Arsenio (Arseninho) e Zé do Norte (tornou a música “Mulher Rendeira” internacionalmente conhecida através do filme “O Cangaceiro” de Lima Barreto).

Bosco Maciel chega a Cajazeiras para se integrar às comemorações pelo centenário de nascimento do ex-governador e escritor, Ivan Bichara Sobreira, que terá vasta programação na próxima semana. Além do show no ICA, Bosco Maciel participará de reunião com artistas locais na terça-feira (22) pela manhã, no Casarão da Epifânio Sobreira, e da instalação da Academia de Artes e Letras de Cajazeiras. Todos os eventos contam com o apoio da Prefeitura de Cajazeiras, através da Secretaria de Cultura e Turismo.

Segundo Bosco Maciel, o ferreiro, também chamado de “araponga”, é um pássaro presente em todo Brasil que tem o canto semelhante à batida de um martelo em uma bigorna. Este canto inspirou Bosco Maciel na montagem do espetáculo, desde o repertório apresentado (parte das músicas estão presentes no livro “Romanceiro” de sua autoria), até os músicos escolhidos.

Em 2009 o espetáculo foi apresentado no Teatro Padre Bento (Guarulhos-SP) com a participação dos Músicos Vinícius Medrado, Amanda Ribeiro e Helena Bruna. Nesta versão, erá a participação dos músicos “Joabson”, “Naldo”, “Elber” e “Jordaens”.

João Bosco da Silva (Bosco Maciel) nasceu em Cajazeiras em março de 1950. Filho de José Cardoso da Silva – torneiro mecânico e amante das artes – e Santa Maciel – uma jovem e doce senhora. É o irmão mais velho dos cinco filhos do casal.

Quando criança já manifestava o interesse pelas artes, quando na cidade chamava atenção por gostar de estudar o Dicionário da língua portuguesa, atividade que o levava a ser considerado um bom charadista. Ainda criança, participou de concurso de pintura e teve alguns de seus quadros expostos no hotel da cidade. Jovem, participou de bandas onde cantava músicas brasileiras e músicas dos Beatles.

Em 1965 sua mãe faleceu, acirrando no jovem a vontade de ir para o sul. Em 1969 após servir o Tiro de guerra, comprou a passagem que lhe conduziria ao novo destino. Em 1970 realizou finalmente seu desejo de atravessar as serras nordestinas e tentar a vida em novas paragens. Em 1974 foi morar em Guarulhos, onde casou-se com Marli, que lhe deu três filhos, que lhes deram três netos. Em 1977 concluiu o curso universitário. Durante sua vida em Guarulhos nunca esqueceu sua origem, centrando suas pesquisas nas figuras pitorescas do sertão, como os emboladores de feira, os cegos cantadores, as benzedeiras, os vaqueiros, e outros personagens que compõem o folclore nordestino.

Em 2005 escreveu o livro “Romanceiro” em versos de cordel. O livro foi financiado pelo Projeto ‘Funcultura’ da Secretaria de Cultura de Guarulhos, com o qual, classificou-se em “primeiro lugar”.

Também em 2005 fundou em Guarulhos o ‘Instituto Cultural Casa dos Cordéis’ com o objetivo de valorizar a Cultura Nordestina e Brasileira. Neste Espaço Cultural são montados Grupos de estudo para coletar peças e documentos que contam a história de nossos costumes. No Espaço são frequentes exposições artísticas. Os saraus literário-musicais mensais tem a participação de poetas, artistas de teatro, dançarinas, músicos. Também são realizadas apresentações musicais e teatrais com artistas de Guarulhos, de São Paulo, e de todo Brasil, e com Grupos de Folia de reis, Cavalo Marinho, de cantadores repentistas e de danças regionais.

No ano de 2007 entrou para a AGL – ‘Academia Guarulhense de Letras’, onde como Membro efetivo, ocupa a cadeira 06 tendo como Patrono o escritor José Bento Monteiro Lobato.