Um projeto que leva a sala de aula o universo do cordel e da xilogravura, motivando a produção dos estudantes, a apreciação d produção de cordelistas do Nordeste e, sobretudo, ressaltar a importância desse bem cultural que carrega em si traços da sabedoria popular, da história e das manifestações artísticas sertanejas. Assim é “Xilocordel: memória e tradição”, trabalho desenvolvido pelo professor e teatrólogo Daniel Dantas com estudantes de escolas públicas municipais de Cajazeiras. O projeto tem apoio do Fundo Municipal de Cultura (Fuminc), da Prefeitura Municipal de Cajazeiras.

Entre os objetivos do projeto, estão a realização de oficinas de Literatura de Cordel em escolas municipais de Cajazeiras; produção de cordel e ilustrações com Xilogravuras; divulgação da cultura popular por meio da literatura; e diálogo sobre um novo conceito de regionalismo.

Daniel Dantas destaca que a Literatura de Cordel veio para o Brasil nos navios portugueses. Aqui encontrou um jeito diferente de se representar e tornou-se uma importante manifestação artístico literária da cultura popular brasileira. “Olhando por alto parece uma coisa só: um monte de livrinhos impressos em papel barato vendidos a preço baixo. O assunto pode ser um fato real acontecido, o perfil de uma figura ilustre, um repente num duelo, uma história imaginada surrealista. Hoje pode-se dizer também que o Cordel é uma mídia Popular ou, se quisermos, o tataravô de todos os meios de comunicação no Sertão, pois muito antes de aparecer na televisão, o povo da roça, principalmente do Nordeste, usava o cordel para divulgar suas histórias. Os Poetas cordelistas têm o dom de transformar um fato do cotidiano em um grande acontecimento histórico, já que tudo pode virar cordel”, analisa.

A xilogravura é uma técnica de gravura na madeira que serve para ilustrar as capas dos folhetos. A literatura de cordel ganha, então, o status de arte dupla, pois agrega, além da narrativa literária, a arte visual de suas capas. J. Borges é um artista pernambucano que uniu essas duas técnicas e é reconhecido no mundo inteiro.

“Nessa perspectiva, faz-se necessário levar a literatura de cordel para as escolas a fim de dar continuidade e manter a cultura popular brasileira viva. É ideia central deste projeto a realização de oficinas de cordel e xilogravura para a sua produção e divulgação por alunos do sistema municipal de Cajazeiras”. O resultado prático tem sido a empolgação dos alunos, inclusive com a produção de folhetos de cordel. Agora, no mês de agosto, será feita uma exposição em praça pública das produções dos alunos.